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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Curtas - CNBB e Toffoli. Ordenações Sacerdotais tridentinas. Igreja e Estado. Papa na República Tcheca. Novo livro do Papa.

- O Presidente da CNBB apóia a nomeação do Toffoli para Ministro do STF, dizendo que Toffoli "é católico. Realmente, Toffoli reúne "todas" as caracteríticas de um bom "católico à sua maneira" (aquela categoria de católicos que o Cardeal Hummes criou para definir o Presidente Lula): é petista, abortista e gayzista. Toffoli é... católico? Não sei até quando poderemos agüentar estas incoerências da CNBB. É triste dia após dia os católicos verem sua Conferência Episcopal pactuando com o Diabo... O Jorge Ferraz e o Rafael Vitola já comentaram.


- Belíssimas fotos de ordenações sacerdotais na Diocese de Frejus-Toulon segundo o usus antiquior foram publicadas no The New Liturgical Movement. É muito bom ver como alguns Bispos tem se esfoçado para seguir, não só o que está disposto pelo Papa, como também o seu desejo. E é desejo do Pontífice, como expresso no Motu Proprio e nos atos recentes da Cúria  e de Sua Santidade mesmo, a restauração da Missa Tridentina. Além da beleza das fotos, é bom saber que existem Bispos católicos ainda...


- O Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico lança Simpósio Jurídico sobre as relações Igreja e Estado. "[O] Simpósio Jurídico enfatiza a relação diplomática entre Igreja e Estado, e vincula esta relação ao Pontificado de S.S. Bento XVI". "O conferencista, Revmo. Mons. Osvaldo Neves de Almeida, é oficial da Secretaria de Estado, que é o setor diplomático do Vaticano, e tem a função de tratar de toda a diplomacia , fazendo esta ligação entre a Igreja e todo o resto do mundo", diz o próprio site da Instituição. Sem dúvida um tema interessantíssimo, tanto pelo contexto atual, quanto pelo Magistério importantíssimo de Bento XVI nesse sentido.


- Terminou ontem a visita apostólica de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, à República Tcheca. "[O] presidente [Vaclav] Klaus agradeceu ao Santo Padre por levar 'uma nova esperança' ao país, com a 'coragem ao exprimir posições que nem sempre são politicamente corretas e compartilhadas por todos'. O mandatário também agradeceu a 'mensagem convincente' e o 'convite à compreensão mútua, à tolerância, à paz, à importância da razão, da fé e dos princípios éticos'", noticia Gaudium Press. Os discursos do Papa Bento XVI em sua viagem podem ser conferidas aqui.


- O totalitarista Chávez apóia Dilma e Lula lamenta que ele não possa votar no Brasil. "À pergunta sobre o que achou da declaração de apoio, no sábado, do presidente venezuelano, Hugo Chávez, à sua virtual candidata a presidente, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, Lula respondeu: 'Chávez fez um gesto de gentileza. Só lamento que ele não tenha título de eleitor para ir votar na Dilma.' Ele negou que se trate de ingerência nos assuntos internos brasileiros", diz esta notícia do Estadão, ao fim. Impressionante é a coerência do Governo Lula: de um lado, critica o Governo interino de Honduras - legítimo, como escrevemos aqui e aqui -  e de outro, comunga com o totalitarista do Chávez - este, sim, totalitário - e até desejaria que ele pudesse vir votar na Dilma... É nas mãos deste tipo de pessoa que esteve o nosso país na última década. Oxalá não fique nas mãos da marionete dele, a Dilma!


- Papa afirma que lançará seu próximo livro ano que vem. Trata-se do segundo volume da obra "Jesus de Nazaré". O primeiro foi lançado em 2007, e tratou, entre outros temas, da apresentação do Jesus da Fé como, efetivamente, o Jesus histórico, sem oposições ou surrealidades; o livro anterior, de profunda teologia, falou também do Pai Nosso, das imagens do Evangelho de João, das afirmações cristológicas nos quatro Evangelhos, entre outros assuntos. Contemos os dias para o lançamento do próximo!

sábado, 1 de agosto de 2009

Curtas MORAL - Espanha e pílula. Mons. Fisichella e RU-486. Pais mexicanos inconformados.

- Governo da Espanha se contradiz sobre a pílula do dia seguinte. Em 2004, o Governo marxistóide da Espanha dissera que não sep odia deixar a distribuição da "pílula do dia seguinte" nas mãos dos farmacêuticos: "Estamos falando de medicamentos e é necessária a prescrição de um médico"; "[A pílula] tem efeitos adversos", afirmava, então. Agora, poucos anos depois, o Secretário Geral de Saúde, José Martínez Olmos, afirma ser permitido o acesso às pílulas abortivas em farmácias, e sem prescrição médica. A Asociación para la Defensa del Derecho a la Objeción de Conciencia (ANDOC) notou a incoerência do Governo e salienta que, do ano em que disse que as pílulas possuíam efeitos adversos para hoje, nada mudou em sua composição: ela continua um abortivo, e altamente perigoso para a mulher. mas, para marxistas defenderem a morte, vale tudo...

- Mons. Rino Fisichella condena a pílula do dia seguinte na Itália, onde as autoridades de saúde permitiram sua venda nos hospitais. O Presidente da Pontifícia Academia para a Vida condenou a banalização da vida e salientou que, melhor do que fornecer pílulas, é ensinar a mulher a valorizar a vida que carrega em sue ventre. "O embrião não é um amontoado de células nem uma 'coisa' como alguns querem defini-lo; é uma vida humana verdadeira e plena. Suprimi-la é uma responsabilidade que ninguém pode assumir sem conhecer as conseqüências"; "A Igreja não pdoe assistir de maneira passiva ao que se sucede na sociedade; está chamada a anunciar sempre a vida", asseverou.

- Pais mexicanos sem anifestam contra cartilha que promove sexo entre menores. Trata-se da nova Cartilha Nacional de Saúde da Secretaria de Saúde do México, que promove, entre outras coisas, o sexo livre, o uso de preservativos e a pílula do dia seguinte entre menores de 10 a 19 anos. Um absurdo deplorável. A Unión Nacional de Padres de Familia do México (UNPF), por meio de seu Presidente, Guillermo Bustamante Manilla, exigiu a retirada ou modificação da cartilha. Bustamante lamentou que o Governo esteja promovendo anti-valores e não tenha consultado os pais de família, a quem cabe primeiramente a educação dos filhos - ingerências próprias do Estado intervencionista dos comunistas, para quem tudo deve ser decidido pelo Estado e a autoridade das família suprimida.

sábado, 18 de julho de 2009

Mais curtas - Visita aos Legionários. Anglicanos e Homossexualismo. Obama. São Camilo.

- A Visita Apostólica aos Legionários de Cristo irá demorar, afirma o Presidente da Conferência Episcopal Mexicana, D. Carlos Aguiar Retes. O Bispo salientou que a Santa Sé espera conhecer mais a vida interna desta Congregação e auxiliar-lhes a superar o momento difícil por que passam; ao fim da visita, observou o Bispo, a Santa Sé analisará o caso em "segredo pontifício". A notícia é de ACI Prensa.

- Anglicanos dos EUA, os episcopalianos, aprovam ordenação episcopal de homossexuais. É mesma comunidade que renegou o celibato clerical e permite a ordenação sacerdotal de homossexuais e mulheres. A aprovação se deu durante uma convenção geral em Anaheim, California, presidida pela "Bispa" Kathleen Jefferts Schori. A decisão agravará ainda mais a cisão entre os episcopalianos e os anglicanos tradicionais, bem como com a Igreja Católica. A notícia é novamente de ACI Prensa. As ordenações sacerdotais de homossexuais e mulheres e a "corda-bamba moral" em que se envolve a denominação anglicana é o principal motivo para o retorno cada vez mais crescente de anglicanos tradicionais à Igreja Católica. Quem quiser entender melhor a problemática, sugerimos o artigo de Pedro Ravazzano, publicado em Veritatis Splendor, "Igreja Anglicana: Católica, Via Média ou Protestante?"

- O Presidente Barack Obama nomeou uma médica católica como Cirugiã Geral dos EUA. Trata-se de Regina Benjamin, médica rural de Alabama. Não se conhece a postura da Dra. Benjamin sobre temas como o aborto e a defesa da vida, mas é significativo que em 2006 a média tenha recebido do Papa Bento XVI a medalha Pro Ecclesia et Pontifice (Pela Igreja e pelo Pontífice) por seu trabalho humanitário. O Vigário-Geral da Arquidiocese de Mobile, Mons. Michael L. Farmer, afirmou que a Dra. Benjamin é uma pessoa encantadora e notável. Os católicos norte-americanos esperam que agora a médica mantenha a coerência com os ensinamentos cristãos sobre o aborto e a vida humana no desempenho de sua função. Talvez o encontro de Obama com o Santo Padre já esteja surtindo efeito... A notícia é mais uma vez de ACI Prensa.

- Coração incorrupto de São Camilo de Lellis permanece até o dia 20 de Julho em Lima, Peru, onde está em comemoração ao terceiro centenário da presença dos Servos dos Enfermos no País. Faz três meses que a relíquia está no Peru, e desde então foi exposta e já visitou inúmeros hospitais. Hoje, 18 de Julho, foi celebrada uma Missa em honra de São Camilo na Basílica Catedral de Lima. São Camilo, após ser curado de uma ferida profunda e converter-se, dedicou sua vida ao serviço dos doentes e fundou uma congregação de padres cujo carisma é este mesmo serviço. Notícia de ACI Prensa (a última de hoje...).

Itália vai propor à ONU resolução anti-aborto

Mais uma feliz notícia vinda das terras do Lácio. A Câmara de Deputados da Itália aprovou uma moção contra o aborto. O governo italiano agora pretende levar à ONU uma resolução condenando o aborto como meio de controle da natalidade - é sabido que a ONU reiteradas vezes tenta impor à comunidade internacional o aborto como meio de controle da natalidade, como fez no Egito, em 1994, na Conferência sobre a População e o Desenvolvimento, e na China, em 1995, na Conferência sobre a Mulher, momentos nos quais o Papa João Paulo II atuou ativamente contra feministas e abortistas. Esperemos que novas boas notícias venham da Itália e que o país possa fazer uma valorosa luta em defesa da vida das crianças e contra o aborto na arena da ONU.

A notícia abaixo é de Gaudium Press.

Câmara italiana aprova moções contra o aborto

Publicado 2009/07/17
Autor: Gaudium Press
Secção: Mundo

Roma (Sexta, 17-07-2009, Gaudium Press) A Câmara dos Deputados italiana aprovou integralmente nesta quarta-feira moções contra o aborto como instrumento de controle de nascimentos. Agora, o governo italiano se empenha em propor à Assembléia Geral da ONU uma resolução anti-abortista para "condenar o uso do aborto como instrumento de controle demográfico e de natalidade e afirmar o direito de toda mulher a não ser obrigada ou induzida a abortar, favorecendo políticas que ajudem a remover as causas econômicas e sociais do aborto."

A votação, que aconteceu ontem, teve 228 votos favoráveis. A moratória internacional do aborto obrigatório é uma iniciativa que partiu do presidente do partido UDC (União dos Democratas Cristãos e Democratas de Centro,), Rocco Buttiglione, que ontem disse que "o aborto é uma escolha obrigatória, contra as mulheres e as crianças. Países nos quais o aborto é obrigatório depois do primeiro filho são aproximadamente um quarto da humanidade". A coalizão governista formada pelos partidos Povo da Liberdade (PDL) e Liga Norte, também apoiaram a moratória.

"Todos concordamos que o aborto é de qualquer maneira um mal, mas nos dividimos sempre entre quem é pela vida e quem é pela livre escolha das mulheres. É hora de contrastar quem é contra a vida quem é contra a escolha", disse Buttiglione.

O Vaticano mostrou satisfação pela aprovação dos documentos, sendo que o presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Marino, disse que se trata de "um grande sim à vida e um grande passo na promoção do direito fundamental da vida".

"Espero que agora a moção siga adiante na ONU, onde poderá ganhar outros consensos", comentou Martino.


domingo, 12 de julho de 2009

Esclarecimento da Congregação para Doutrina da Fé - Sobre o aborto provocado.

Recentemente foram recebidas pela Santa Sé diversas cartas, inclusive da parte de altas personalidades da vida política e eclesial, que informaram sobre a confusão criada em vários países, sobretudo na América Latina, após a manipulação e instrumentalização de um artigo de Sua Excelência Monsenhor Rino Fisichella, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, sobre a triste história da “menina brasileira”.

Em tal artigo, publicado no “L’Osservatore Romano” de 15 de março de 2009, era proposta a doutrina da Igreja, também tendo em conta a situação dramática da supracitada menina, que – como se pôde notar mais tarde – foi acompanhada com toda sensibilidade pastoral, em particular pelo então Arcebispo de Olinda e Recife, Sua Excelência Monsenhor José Cardoso Sobrinho. A respeito, a Congregação para a Doutrina da Fé reitera que a doutrina da Igreja sobre o aborto provocado não mudou nem poderia mudar.

Tal doutrina foi exposta nos números 2270-2273 do Catecismo da Igreja Católica nestes termos:

“A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5). «Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15). A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: «Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (Didaché, 2, 2). «Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis» (Concilio Vaticano II, Gaudium et spes, 51). A colaboração formal num aborto constitui falta grave. A Igreja pune com a pena canônica da excomunhão este delito contra a vida humana. «Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (Cic, can. 1398), isto é, «pelo fato mesmo de se cometer o delito» (Cic, can. 1314) e nas condições previstas pelo Direito (cfr. Cic, cann. 1323-1324). A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade. O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação: «Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do ato criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte»… «Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da proteção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito» [...]. Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos » ” (Congregazione per la Dottrina della Fede, Istruzione Donum vitae, III).

Na encíclica Evangelium Vitae, o Papa João Paulo II reafirmou esta doutrina com a autoridade de Supremo Pastor da Igreja: “com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal.” (n. 62).

No que diz respeito ao aborto provocado em determinadas situações difíceis e complexas, vale o ensinamento claro e preciso do Papa João Paulo II: “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, teme-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (Encíclica Evangelium Vitae, n. 58)

Quanto à problemática de determinados tratamentos médicos a fim de preservar a saúde da mãe, é necessário distinguir bem entre dois casos diversos: de um lado, uma ação que diretamente provoca a morte do feto, por vezes impropriamente chamado aborto “terapêutico”, que não nunca pode ser lícito enquanto é o assassinato direto de um ser humano inocente; de outro lado uma intervenção em si não abortiva que pode ter, como consequência colateral, a morte do filho: “Se, por exemplo, a salvação da vida da futura mãe, independentemente de seu estado de gravidez, requerer urgentemente um ato cirúrgico ou outra aplicação terapêutica que teria como conseqüência acessória, de nenhum modo desejada nem intencionada, mas inevitável, a morte do feto, um tal ato não pode ser dito um direto atentado à vida inocente. Nestas condições, a operação pode ser considerada lícita, como outras intervenções médicas similares, sempre que se trata de um bem de alto valor, isto é, a vida, e não seja possível restituí-la após o nascimento da criança, nem para utilizar outro remédio eficaz “(Pio XII, Discorso al “Fronte della Famiglia” e all’Associazione Famiglie numerose, 27 novembre 1951).

Quanto à responsabilidade dos profissionais de saúde, é preciso lembrar as palavras do Papa João Paulo II: “A sua profissão pede-lhes que sejam guardiães e servidores da vida humana. No atual contexto cultural e social, em que a ciência e a arte médica correm o risco de extraviar-se da sua dimensão ética originária, podem ser às vezes fortemente tentados a transformarem-se em fautores de manipulação da vida, ou mesmo até em agentes de morte. Perante tal tentação, a sua responsabilidade é hoje muito maior e encontra a sua inspiração mais profunda e o apoio mais forte precisamente na intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre atual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade (Encíclica Evangelium Vitae, n. 89)

(©L’Osservatore Romano – 11 de julho de 2009)

Fonte: Fratres in Unum

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Obama no confessionário - Papa Bento XVI ressalta compromisso com a vida

Conforme noticiávamos ontem, a visita do Presidente Barack Obama ao Papa Bento XVI deveria ter como tema principal, como é óbvio, a defesa da vida em todas as suas fases, da concepção ao seu declínio natural. Dito e feito! E bem feito! Bento XVI presenteou Obama com um exemplar de sua Encíclica Caritas in Veritate - importantíssima para que o Presidente reflita sobre a crise atual - e com um exemplar da Instrução Dignitas Personae da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre questões de bioética, onde é reiterado o ensino da Igreja sobre aborto e manipulação de embriões. Que golpe de direita de Bento XVI no abortismo obamunista! Imagino o semblante do Obama quando recebeu aquele documento com subtítulo: "sobre questões de bioética", e o sorriso no rosto de Bento XVI ao entregar-lhe... Talvez esperasse uma grande queixa sobre o aborto, mas só uma queixa. Fontes informam que o Papa também abordou Obama sobre o direito à objeção de consciência, que tem sofrido ataques no novo governo americano.

Noticia a Radio Vaticano que
"de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, no diálogo entre ambos, foram abordados temas de interesse mundial e convergentes, como a paz no Oriente Médio, e questões divergentes, como a gravidez indesejada".
E Zenit confirma:
"Desde que chegou à Casa Branca, Obama tomou decisões controvertidas sobre temas que afetam a vida humana, em particular ao levantar restrições que proibiam o financiamento federal da pesquisa com células-tronco embrionárias (que implica a eliminação de vidas humanas), assim como as restrições às subvenções públicas a favor das associações que promovem o aborto no estrangeiro. [...] O Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou aos microfones da Rádio Vaticano que o presente da instrução [Dignitas Personae] é 'muito significativo'. 'Nos Estados Unidos de hoje, existe um grande debate sobre os valores fundamentais da defesa da vida, e nisso a perspectiva da Igreja e a política do presidente Obama mostram diferenças, às vezes bastantes significativas', continuou explicando o porta-voz. [...] Nos encontros com o Papa e seus colaboradores foram analisadas, além disso, 'as perspectivas de paz no Oriente Médio, nas quais se registram convergências e outras situações regionais'. 'Revisaram alguns temas de maior atualidade, como o diálogo entre culturas e religiões, a crise econômico-financeira no âmbito global e suas implicações éticas; a segurança alimentar, a ajuda para o desenvolvimento, sobretudo na África e na América Latina, e o problema do tráfico de drogas', esclarece o comunicado [da Santa Sé]. 'Por último, sublinhou-se a importância da educação para a tolerância em cada país', revela a Santa Sé."
Afirma também Zenit que
"Bento XVI se fez porta-voz dos legítimos direitos dos cidadãos latino-americanos no encontro que manteve nesta sexta-feira com o presidente Barack Obama, no Vaticano. [...] O Papa também pediu o compromisso dos Estados Unidos na ajuda ao desenvolvimento dos países da América Latina, segundo informa o comunicado posterior à audiência publicado pela Sala de Informação do Vaticano".
Ao fim, segundo Radio Vaticano, desejos e orações:
"Ao se despedir de seus hóspedes, Bento XVI voltou-se para Obama, dizendo-lhe: 'Presidente, rezo pelo senhor!' O presidente norte-americano respondeu: 'Santidade, espero em um relacionamento muito forte entre os EUA e a Santa Sé!'"
Que Deus escute as orações do Pontífice e ajude Obama a encontrar a Verdade - pela Encíclica e pela Instrução.

Congregação para a Doutrina da Fé esclarece sobre o aborto em Recife

Hoje (11/07) foi publicada em L'Osservatore Romano uma Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé esclarecendo o lastimável artigo de Dom Rino Fisichella, Prefeito da Pontifício academia para a Vida, sobre o aborto da menina de 9 anos em Recife. Dom Rino execrava o Arcebispo de Olindo e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, por ser rígido e anti-pastoral e apoiava o aborto na menina, esquecendo de uma vez só que Dom José prestou o mais vivo auxílio, do começo ao fim - como agora reconhece a declaração - e que o aborto provocado é pecado gravíssimo, que clama aos céus, segundo a Doutrina da Igreja.

Esta declaração, como o Direto da Sacristia noticiara, fora pedida pelo próprio Papa Bento XVI em atenção às solicitações dos acadêmicos pró-vida. Talvez seja um pouco fraca a tentativa da Declaração de salvar o artigo de D. Fisichella, mas o que vale é a condenação do aborto provocado na menina e a honra recuperada do grande Dom José!

Segue a notícia de Zenit. O link para a Declaração, em italiano, é este.

Caso da menina brasileira não muda ensinamento católico sobre aborto

Esclarecimento da Congregação para a Doutrina da Fé

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 10 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Após as polêmicas surgidas sobre um artigo publicado no jornal vaticano pelo arcebispo presidente da Academia Pontifícia para a Vida sobre a menina brasileira que foi submetida ao aborto de gêmeos, a Santa Sé confirma que a doutrina da Igreja não mudou.

Explica-o um “Esclarecimento” publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé, na edição diária de 11 de julho de L’Osservatore Romano, como o próprio documento explica, em resposta a “várias cartas, inclusive da parte de altas personalidades da vida política e eclesial, que informaram sobre a confusão que se criou em vários países, sobretudo na América Latina”.

“A Congregação para a Doutrina da Fé confirma que a doutrina da Igreja sobre o aborto provocado não mudou nem pode mudar”, sublinha o “Esclarecimento”.

O documento se refere ao artigo publicado pelo L’Osservatore Romano no dia 15 de março de 2009, com o título “A favor da menina brasileira”, no qual o arcebispo Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, analisava o caso da menina que, aos 9 anos, vou estuprada repetidamente pelo seu jovem padrasto, ficando grávida de gêmeos e que depois foi obrigada a abortar no quarto mês de gestação.

No artigo, Dom Fisichella confirmava que “o aborto provocado sempre foi condenado pela lei moral”.

Pois bem, em resposta às crônicas publicadas pelos jornais, o arcebispo considerava que, segundo seu parecer, não era adequado que o bispo do lugar anunciasse de maneira tão pública e rápida a excomunhão – “algo que se aplica de maneira automática”, esclarecia – dos envolvidos, pois desta forma não se ajuda a mostrar o rosto materno da Igreja.

O “Esclarecimento” vaticano informa que, como foi possível saber depois, a menina “tinha sido acompanhada com toda delicadeza pastoral, em particular pelo então arcebispo de Olinda e Recife, sua excelência Dom José Cardoso Sobrinho”.

O próprio Dom Fisichella, em declarações posteriores à mídia, havia esclarecido que, antes de escrever o artigo, dada a urgência de responder rapidamente à enorme polêmica que havia sido suscitada, não tinha podido falar com Dom Cardoso Sobrinho, motivo pelo qual não estava informado deste fato.

O documento da Congregação para a Doutrina da Fé, cujo presidente é o cardeal americano Willian Levada, não entra nos detalhes concretos deste caso, mas se limita a ilustrar os textos de referência do magistério da Igreja sobre o aborto, em particular os números 2270-2272 do Catecismo da Igreja Católica.

O texto cita também várias passagens da encíclica Evangelium vitae, assinada por JoãoPaulo II no dia 25 de março de 1995, em particular o número 58, no qual se esclarece que o aborto provocado nunca pode ser justificado, ainda que aconteça em “situações difíceis e complexas”, seja para o bebê ou para a mãe.

No que se refere ao problema de determinados tratamentos médicos para preservar a saúde da mãe, o texto esclarece que “é necessário distinguir bem entre dois fatos diferentes: por um lado, uma intervenção que diretamente provoca a morte do feto, chamada em ocasiões de maneira inapropriada de aborto ‘terapêutico’, que nunca pode ser lícito, pois constitui o assassinato direto de um ser humano inocente”.

Algo totalmente diferente, continua indicando o “Esclarecimento”, é “uma intervenção não-abortiva em si mesma, que pode ter, como consequência colateral, a morte do filho”.

Para explicar este ensinamento da Igreja, a nota cita um famoso discurso de Pio XII, de 27 de novembro de 1951, no qual afirma: “Se, por exemplo, a salvação da vida da futura mãe, independentemente de seu estado de gravidez, requerer urgentemente uma intervenção cirúrgica, ou outro tratamento terapêutico, que teria como consequência acessória, de nenhum nenhum modo querida nem pretendida, mas inevitável, a morte do feto, um ato assim já não se poderia considerar um atentado direto contra a vida inocente”.

“Nestas condições, a operação poderia ser considerada lícita, igualmente a outras intervenções médicas similares, sempre que se trate de um bem de elevado valor –como é a vida– e que não seja possível postergá-la após o nascimento do filho, nem recorrer a outro remédio eficaz”, dizia o Papa Eugenio Pacelli nesse discurso.

No que se refere ao papel dos médicos nestes casos, o documento lhes recorda, com a Evangelium vitae (n. 89), “a intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre actual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade”.

O documento vaticano não entra em detalhes sobre a aplicação automática da excomunhão no caso do aborto.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente.

De: Blog Fratres in Unum

Após nomear novo arcebispo de Recife Dom Fernando Saburido, que declarou deixar facilmente “de lado a política canônica” por ser “mais pastoral” que seu predecessor, esperamos verdadeiramente que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, tome as medidas necessárias para corrigir a lastimável série de afrontas à moral católica perpetrada pela própria Cúria Romana. De outra maneira, a aceitação da renúncia de Dom José num momento tão crítico (quando motivos menos importantes são suficientes para prolongar o governo de outros bispos que ultrapassam seus 75 anos), somada à nomeação de um bispo que fez rejubilar a corja do clero pernambucano, só poderia soar como uma chancela do próprio Papa a todos os desmandos desta que poderá se tornar a maior chaga de seu pontificado.

Abaixo publicamos importante artigo de Sandro Magister (tradução e comentários do blog Oblatvs):

Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente

Sobre os desenvolvimentos da controvérsia acesa pelo artigo do arcebispo Rino Fisichella sobre o caso da menina brasileira levada a abortar os gêmeos que trazia no ventre, www.chiesa deu informações no serviço disponibilizado na rede em 3 de julho: “O caso de Recife. Roma falou, mas o caso não está encerrado”.

Aos fatos públicos ali apresentados, acrescentem-se importantes movimentos nos bastidores.

O artigo de Fisichella – publicado em 15 de março na primeira página do “L’Osservatore Romano” – impressionou não somente pelo conteúdo e pela modalidade da publicação, mas porque o seu autor é presidente da pontifícia academia para a vida.

E então, 27 dos 46 membros desta academia escreveram em 4 de abril passado uma carta coletiva a Fisichella, pedindo-lhe que corrigisse as posições “erradas” expressas por ele no artigo.

Em 21 de abril, Fisichella responde-lhes por escrito, rejeitando o pedido.

Em 1º de maio, 21 dos signatários da carta precedente se dirigem, pois, ao cardeal William Levada, prefeito da congregação para a doutrina da fé, pedindo à congregação um pronunciamento esclarecedor sobre a doutrina da Igreja em matéria de aborto.

A carta foi entregue em 4 de maio, mas não recebeu resposta. Os autores souberam por um funcionário da congregação que a carta foi encaminhada ao Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, “uma vez que o artigo de Fisichella fora escrito a seu pedido”.

Dois membros da pontifícia academia para a vida transmitiram então diretamente ao papa um dossiê sobre o acontecido.

Em 8 de junho Bento XVI teria discutido o caso com Bertone e teria ordenado que fosse publicada uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja em matéria de aborto.

Mas tal texto ainda não viu a luz do dia. Há quem se oponha a que seja publicado no “L’Osservatore Romano”. E há quem desejaria que fosse transmitido por via reservada somente a um restrito número de destinatários: os bispos e os acadêmicos mais diretamente envolvidos na controvérsia.

[Comentário de Pe. Clécio]

Finalmente ficamos sabendo a pedido e sob autoridade de quem foi escrito o vergonhoso artigo de Fisichella. Os acadêmicos se moveram e levaram o caso a Levada que transmitiu “mateus” a quem o pariu. Como Bertone fez pouco do pedido, apresentaram o caso ao Papa, que decidiu: uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja.

Desnecessário dizer que tal declaração seria favorável a Dom José Cardoso Sobrinho e desmascararia a posição falsamente “pastoral” de Rino/Bertone. Cadê o texto?

Magister afirma que há quem se oponha a que saia no “L’Osservatore”. Por que razão o incógnito supõe que o jornal do Papa não seja adequado para publicar uma declaração que reafirme a doutrina da Igreja? Para não ferir sensibilidades prelatícias? Para não avechar o presidente da academia para a vida?

Lançar às feras um pobre arcebispo latinoamericano “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” pode!

Fonte: Settimo Cielo

Tradução: OBLATVS