Beato Antônio Chevrier talvez seja um dos maiores exemplos de vivência da radicalidade evangélica. No seu livro, "O Verdadeiro Discípulo", ele forja em palavras, como um metal ardente, um manual de edificação, um guia para a compreensão plena de Nosso Senhor; "Jesus Cristo é tudo!" No mundo moderno a mensagem de Chevrier pode ser vista como ultrapassada, velha, antiquada, ou então podada através de uma caricata "contextualização", ou seja, todo o seu fervor era reflexo de uma época, hoje não caberia mais.
Lendo algumas das palavras de Beato Antônio Chevrier e comparando com muitas das tristes atitudes de certos Sacerdotes vemos como, infelizmente, existem presbíteros que não honram o seu ministério:
“Quanto mais somos de Deus, tanto mais somos opostos às idéias e às loucuras do mundo e mais também o mundo nos odeia e nos persegue (...) Somos de tal modo inclinados às coisas naturais, temos tanta dificuldade em manter-nos à altura da nossa vocação que o contato com o mundo não nos pode ser senão muito funesto (...) Torna-se depressa mundano ao freqüentar as pessoas mundanas.
Não se deveria, parece-me, ver o sacerdote senão no púlpito, no confessionário e no altar; junto dos pobres e dos doentes. Em qualquer parte, o sacerdote expõe-se à crítica e a se tornar ele próprio mundano ao adquirir os gosto e as idéias do mundo (...) O sacerdote deve fugir de tudo o que cheira a mundo, e quando tem necessidade de descansar um pouco, deve ir para um lugar isolado (...) É necessário fugir do mundo.
(...)
Devemos, pois, suprimir do nosso exterior todo o adorno inútil e ocupar-nos muito mais em adornar o homem interior que se não vê, do que em adornar o homem exterior que se vê.
Devemos suprimir todo o ornamento exterior, tais como anéis, flores, brincos, correntes de ouro ou de prata, pingentes, relógio de ouro, pedraria, ainda que tais objetos provenham da família.
Não devemos ter nenhum ornamento exterior, nem sequer de estimação, exceto o crucifixo.
Devemos suprimir das nossas vestes tudo o que cheira a luxo, elegância etiqueta, finura, requinte, arranjo, limpeza excessiva, tais como roupa branca fina, engomada, colarinhos, punhos, sapatos de verniz, borlas etc...tudo o que agrada, é bonito, engraçado, amável, o que seduz o olhar.
Devemos evitar cuidar demasiadamente do nosso corpo, dos nossos cabelos, do nosso rosto, das nossas mãos, das nossas unhas, da nossa pele. Nunca servir-nos de cremes, perfumes, de sabão odorífero, de espelho: basta ter um espelho para fazer a barba e lavar o rosto e se pentear uma vez; não admirar, contemplar-se, não procurar o bom aspecto, o porto, o bom tom etc...
Nunca servir-se destas coisas delicadas e sedosas que se utilizam no mundo; faz-se do seu corpo um pequeno ídolo que se prepara para o fazer admirar no mundo ou em sua própria casa.
Quanto se opõe este culto do corpo ao espírito evangélico
(...)
O verdadeiro ornamento do corpo é a pureza e a modéstia
(...)
Usar o cabelo curto, uma batina de sarja sem corte pronunciado, sapatos simples e pobres e todo o resto. Fazer a barba duas vezes por semana. Não tomar banho senão quando necessário. Obrigar-se a fazer a tonsura de joelhos para nos recordar esta renúncia ao nosso corpo e também à nossa realeza espiritual sobre o mundo a todas as sua vaidades. (...) Para se conservar puro, é preciso renunciar a todo o prazer proibido, a toda a agitação, emoção que perturbe a carne e lhe dê sensações sensuais"