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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Curtas - Bento XVI e Reino Unido. Martírio no Sudão. Judeus e Pio XII.

- Papa Bento XVI visitará o Reino Unido em 2010, atendendo a convite do Primeiro-Ministro Gordon Brown, disse a BBC. A visita poderá coincidir com a beatificação do Cardeal Newman. Será a primeira visita de um Papa como chefe de Estado ao Reino Unido; João Paulo II visitou o país em 1982 numa viagem de caráter pastoral. Que frutos trará a visita do "Pio X do terceiro milênio" ao país do Anglicanismo?

- Massacre e martírio no Sudão, denuncia o Bispo de Tombura-Yambio, D. Eduardo Hiiboro Kussala. Várias pessoas têm sido seqüestradas e mortas em invasões a igrejas pelo Exército da Resistência do Senhor. Os corpos têm sido encontrados presos a árvores e mutilados, em macabras cenas de crucifixão. Dom Hiiboro pediu auxílio internacional para conter os terroristas assassinos, mas nenhuma autoridade veio em resposta. Interessante que, para execrar um Bispo que nega a amplitude do Holocausto judaico várias autoridades se mostram de prontidão; mas para interromper e denunciar o Holocausto cristão, que ocorre em tempo real na África, ninguém aparece... 20 mil pessoas caminharam descalças em Ezo e Nzara, no Sudão, em oração a Deus pelas almas dos martirizados e clamando auxílio em sua dor. Rezemos pelos nossos irmãos do Sudão.

- Presidente de Fundação judaica quer anunciar Pio XII como "Justo entre as Nações". Assim afirmou o judeu Gary Lewis Krupp, Fundador e Presidente da Pave the Way Foundation, ao fim de uma Audiência Pública com o Papa, na qual também presenteou sua Santidade com um livro de pesquisa histórica a respeito da grandiosidade de Pio XII e do seu magistral trabalho durante a Guerra, contra nazistas e fascistas. A campanha lançada por Krupp em prol de Pio XII pretende colocar seu nome no jardim dos justos de Yad Vashem, em Jerusalém. O gesto, explicou Krupp, é também de gratidão ao Santo Padre, Bento XVI, pelo seu trabalho de diálogo com os judeus.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Voltam a livrarias italianas obras católicas sobre tradicionalismo na Igreja

Publicado 2009/07/15
Autor: Gaudium Press
Secção: Mundo

Cidade do Vaticano (Quarta, 15-07-2009, Gaudium Press) A partir de amanhã, voltam às livrarias italianas duas importantes obras escrita pelo teólogo católico suíço Romano Amerio, "Iota unum" e "Stat veritas". Amerio, progressista que pregava por mudanças na Igreja, faleceu em 1997 aos 92 anos de idade.

De acordo com o vaticanista Sandro Magister, os livros têm especial relevância porque tratam de temas recorrentes na encíclica "Caritas in Veritate", recém-lançada pelo Papa Bento XVI.

Segundo o téologo Divo Barsoti, admirador e estudioso do trabalho de Amerio, ouvido por Magister, "Amerio diz que os maiores males presentes hoje no pensamento ocidental, inclusive no católico, se devem principalmente a uma desordem mental generalizada, pela qual a ‘caritas' é colocada na frente da ‘veritas', sem pensar que esta desordem coloca de forma bagunçada a correta concepção de que deveríamos ter da Santíssima Trindade".

De acordo com Magister, Amerio ve nessa "caridade sem verdade" a raiz de muitas "variações da Igreja Católica no século XX": "as variações que ele descreveu e submeteu a críticas no primeiro e mais importante dos volumes citados, "Iota unum", escrito entre 1935 e 1985; variações que o levaram a questionar se com isso a Igreja não estaria se tornando outra coisa".

Nessa obra, explica o vaticanista, Amerio analisa - "mas não julga" - os caminhos da Igreja de então, e pondera que sempre permanecerá uma continuidade com a Tradição - "ainda que dentro da Igreja ‘turbulências' levem a pensar o contrário", afirma Magister.

É por isso que o especialista vê uma ligação na obra do teólogo e no discurso de Bento XVI de 22 de dezembro de 2005 para a cúria romana, quando o Papa deu sua interpretação do Concílio Vaticano II e de sua relação com a tradição. Naquele discurso, Bento XVI comparou a "babel da Igreja contemporânea ao marasmo que no IV século seguiu-se ao Concílio de Nicea", descrito por São Basilio, à época, como ‘uma batalha naval na escuridão de uma tempestade'.

No posfácio da reedição de "Iota unum", Enrico Maria Radaelli, fiel discípulo de Amerio, diz que a situação atual é comparável ainda mais ao cisma do Ocidente, isto é, aos 40 anos entre os séculos XIV e XV que precederam o Concílio de Costanza, com a cristianidade sem caminho e sem uma segura ‘regra da fé', dividida entre dois ou três papas ao mesmo tempo.

"Em todo caso, reeditado hoje à distância dos anos, "Iota unum" se confirma como um livro não apenas extraordinariamente atual, mas construtivamente católico,e m harmonia com o magistério da Igreja", acredita Magister.

Sobre o segundo livro, "Stat veritas", publicado por Amerio em 1985, Magister afirma que a temática está em "linear continuidade com a do anterior". Ele diz que a obra "confronta a doutrina da Tradição católica com as "variações" que o autor aponta em dois textos do magistério de João Paulo II: a carta apostólica "Tertio millenio adveniente" de 10 de novembro de 1994 e o discurso no Collegium Leoninum de Paderborn em 24 de junho de 1996.

"O retorno às livrarias dos livros faz justiça seja ao autor, seja à censura que se jogou por tantos anos a ambas as obras", diz Magister. Apesar de "Iota unum" ter vendido mais de sete mil cópias na Itália e ter sido traduzido em francês, inglês, espanhoil, portugfuês, alemão e holandês - "atingindo dezenas de milhares de leitores em todo o mundo" - "para os órgãos católicos e as autoridades da Igreja era um tabu".

Magister finaliza afirmando que a "ruptura" da Igreja com esse tabu só ocorreu em 2009.

Fonte: Gaudium Press

terça-feira, 7 de julho de 2009

Dois anos de Summorum Pontificum

Hoje, 7 de Julho de 2009, fazem dois anos que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, liberou universalmente a Missa Tridentina e equiparou-a em cidadania à Missa Nova de Paulo VI. Todos se lembram do importantíssimo Motu Proprio Summorum Pontificum. Sua Santidade deve gostar do dia 7 de Julho, pois hoje lançou também a sua terceira Encíclica, Caritas in Veritate, sobre o desenvolvimento humano, e sobre a qual o Direto da Sacristia já falou.

Mas um detalhe que talvez muitos não perceberam - mas os Bispos com certeza perceberam - é que, com o segundo aniversário do Summorum Pontificum, a areia da ampulheta começa a se acabar para os Bispos apresentarem seu relatório a Sua Santidade sobre as aplicações do Motu Proprio. Isso mesmo! Na Carta do Papa aos Bispos, acompanhando o Motu Proprio, Suya Santidade convida:
"Além disso, convido-vos, amados Irmãos, a elaborar para a Santa Sé um relatório sobre as vossas experiências, três anos depois da entrada em vigor deste Motu Proprio. Se verdadeiramente tiverem surgido sérias dificuldades, poder-se-á procurar meios para lhes dar remédio".
Três anos, pois, para apresentar um relatório sobre as aplicações do Summorum Pontificum. Já se passaram dois anos. Falta apenas um ano para que os Sucessores dos Apostólos ostrem ao Sucessor de Pedro o fruto dos seus trabalhos.

E Bento XVI quer remédio para as "sérias dificuldades" que porventura surgissem. Mas quais seriam estas sérias dificuldades? Poderíamos imaginar a falta de padres para celebrar a Missa Tridentina, ou a falta de Missais... Mas, por que não também a falta de ação dos Bispos?

Porque, se passados três anos, os Bispos permanecerem inativos, não será uma séria dificuldade? Não será uma negligência da vontade de Sua Santidade? E se estes Bispos não só permaneceram inativos, mas impuseram obstáculos: não será uma grande dificuldade?

O Vaticano está atento. A Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, chefiada pelo Cardeal Cañizares, é hoje uma das mais homogêneas da Cúria; todos os seus membros possuem uma ligação íntima com a Missa Tridentina - e querem que ela volte para todos os fiéis.

Em mais um ano os Bispos terão de apresentar ao Santo Padre seus trabalhos. E aí veremos o que fizeram...

Que apresentarão os Bispos do Brasil, muitos dos quais permanecem inativos, e não só inativos, como impõe obstáculos e fazem ouvido de mercador aos pedidos insistentes dos fiéis?

Mais um ano é o que falta, para que então venha o remédio de Bento XVi às "sérias dificuldades".

"Caritas in veritate", a nova encíclica papal

O Sumo Pontífice lançou nesta terça-feira a sua nova encíclica "Caritas in veritate". Além de ser um documento muito esperado, por abordar um tema social de extrema relevância em tempos de crise econômica, as palavras do Santo Padre exprimem a beleza da mensagem cristã até mesmo nos assuntos aparentemente laicizados. Uma das coisas que mais me espantou nesse encíclica foi a capacidade do Papa de correlacionar a sua explanação, não a restringindo, ao contrário, abrindo caminhos onde nem pensaríamos. O título da encíclica já é, por si só, um manifesto contra a forma como trilha o mundo; caridade sem verdade é hipocrisia! Se reconhecemos a Verdade na verdade por que, então, omitiríamos o seu testemunho? Se a caridade é motivada pelo amor em Cristo, e reconhecemos Nele a Verdade triunfante, por que agindo pelo amor não pregaríamos o Seu Evangelho e a Sua Igreja?

Alguns pontos me chamaram atenção; o Papa trouxe à tona a questão da vocação. Quase sempre a idéia de um chamado é vista como uma particularidade da vida religiosa. Essa perspectiva só tem fundamento num mundo laicizado, profanizado, onde não há Deus na vida pública e na vida social. Os homens não são apenas cristãos em seus lares e na esfera privada, são testemunhas de Cristo em todos os atos cotidianos. Assim, fiéis a Deus, buscando uma perfeição diária, perfeição esta que não é reflexo de um materialismo moderno de caráter egoístico, mas sim da procura pela plenitude em Deus e na luta contra o pecado, os cristãos devem viver no orbe como arautos do Senhor, convertendo em oração, mortificação, em fé, o trabalho, os problemas, as dívidas, a família.

O Santo Padre ainda ligou temas de grande importância na modernidade; o relativismo, a laicização, a crise moral, e até mesmo a "hermenêutica da descontinuidade". Ainda vale lembrar que para os economistas e globalistas sem uma vida espiritual, distantes de uma perspectiva cristã da realidade, as palavras do Papa não passarão de conselhos de auto-ajuda, pintando um mundo de cor-de-rosa, bem distante da prática do mundo real da macro e microeconomia.

Depois farei mais alguns comentários sobre a nova encíclica do Santo Padre.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Santo Padre comenta atentado nas Filipinas

O Santo Padre, na conclusão da oração do Ângelus de ontem, 5 de Julho, condenou o atentado contra a Catedral da Imaculada Conceição, de Cotabato, nas Filipinas, como foi noticiado pela Zenit.

Claro que o islamismo é essencialmente maléfico, já que se trata de uma falsa religião. Entretanto, quando falamos de uma seita fundamentalista, de cunho puritano, surgida dentro da crença maometana no séc. XVIII e séc. XIX, o erro consegue ser agravado. O movimento wahabbita - chamado assim por ter como fundador Muhammad ibn Abd al Wahhab - tinha como norte um princípio reformado, de rompimento com aquilo que considerava a decadência islâmica. Não é necessário muito entendimento para relacionar o wahabbismo com o protestantismo. Ambos os projetos eram revolucionários por natureza e, além disso, condenaram as tradicionais bases de conhecimento. Enquanto os seguidores de Lutero, Calvino e companhia rechaçaram a Tradição caindo, naturalmente, numa situação paradoxal, afinal sem Tradição não existiria Escritura, os similares maometanos adotaram uma hermenêutica corânica extremamente pessoal e corromperam o correto entendimento dos ahadith - a Tradição no islã.

No islamismo, a cisão com aquilo que entendem como tradição gerou um fundamentalismo de cunho violento e despropositado, na Cristandade, onde os efeitos são mais avassaladores, afinal estamos falando da Revelação de Deus, os anseios protestantes abriram as portas para a ascensão de um espírito relativista e progressista - no sentido mais pérfido do termo - que foi fator determinante na crise de fé dos homens, crise esta que permitiu o aumento do reinado da morte e do pecado.

Que os católicos filipinos tenham coragem e fé para lutar contra o terror islâmico! Que Santa Rosa de Lima, padroeira desse país, os abençoe! Que São Lorenzo de Manila, primeiro santo filipino, martirizado quando da perseguição aos católicos no Japão, sirva como exemplo de piedade e fidelidade à Verdade;
"Eu sou católico e, sinceramente, aceito morrer por causa do Senhor, se eu tivesse mil vidas, todas elas ofereceria a Ele"