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sábado, 8 de agosto de 2009

Quatro Curtas - Bento XVI e o Santo Cura de Ars (I e IV). Melhoria da liturgia. Música e beleza.

- Bento XVI ressalta os valores do Santo Cura de Ars para os sacerdotes. São João Maria Vianney continua sendo um exemplo atemporal para o sacerdócio; não conquistava as pessoas com sentimentalismos efêmeros, ou adaptando-se a modismos, ou apresentando uma fé açucarada e melosa. Seu magnetismo residia na expressão constante da obediência a Deus e de sua amizade com Cristo. “Ele conseguiu tocar o coração das pessoas não com a força de seus talentos humanos, ou através de um louvável esforço da vontade; conquistou as almas, mesmo as mais resistentes, comunicando-lhes aquilo que vivia internamente, que era a sua amizade com Cristo”, disse o Papa. Bom exemplo para os padres showmasters destes nossos tristes tempos! O Papa ainda resslatou como o Cura de Ars via na celebração digna da Eucaristia e no atendimento das confissões a própria essência do sacerdócio. Outro aspecto que os "showmasters fathers" deveriam atentar. Afinal, dizem alguns que nem têm tempo para celebrar suas Missas diárias, quiçá para confessar!

- Quatro vertentes para a melhoria das celebrações litúrgicas, é o que nos traz o secretário da Comissão Episcopal da Liturgia da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), Pe. Pedro Lourenço. “Estudar as orientações da Igreja; investir na formação sobre o sentido do canto na vida humana e como expressão de beleza; fazer com que as comunidades participem unanimemente; acentuar a dimensão solene”. Portanto: 1) obediência às normas litúrgicas, 2) cantos belos, 3) participação ativa (sem os abusos comumente verificados em nome dela) e 4) solenidade. Oxalá os liturgistas da CNBB tivessem tal sensatez! Antes acham bonito maracás e saudações a Tupã na Santa Missa.

- Papa releva o valor da música como caminho para Deus. "Bento XVI afirmou nesse domingo que a música permite sondar o Paraíso e vivenciar a beleza e o bem da criação", diz-nos a notícia de Zenit. Após um concerto que lhe foi oferecido em Castel Gandolfo, Sua Santidade disse que "hoje penso que pudemos transcorrer este momento como uma hora do Céu, observar e ouvir o Paraíso e a beleza incorruptível e a bondade da criação". E mais: apresenta o bom e o belo como formas de vencer o mal. Afinal, sendo Deus o Sumo Bem, o Sumo Belo e o Sumo Verdadeiro, nada mais certo do que experimentarmos a ele pela beleza - e aí entra a música. "Só podemos continuar a lutar contra o mal e as trevas se acreditarmos no bem; e podemos acreditar no bem sobretudo se o experimentarmos e vivermos como realidade. Nesta hora sondamos o bem e o belo com nosso coração", disse Bento XVI. É o que falta em nossas celebrações litúrgicas. No Brasil, a beleza foi execrada, relegada ao ostracismo e em seu lugar foram postos elementos estranhos à Liturgia, como as palmas e balbúrdias autenticamente neo-pentecostais. Por isso os católicos estão cansados, exaustos em nosso país; sem força para vencer o mal. E daí o poder que obtêm hoje me nossa nação os marxistas, os gayzistas, os abortistas, os modernistas, e tantos "istas". Restaurar a Igreja deste país, restaurar a nossa própria nação brasileira, fundada sobre valores cristãos, envolve restaurar a beleza da liturgia. Mas os liturgistas da CNBB acham que está tudo bem...

- O Santo Cura de Ars seja modelo no combate ao relativismo, é o desejo do Papa. Bento XVI esclareceu que há 150 anos, a França enfrentava uma verdadeira "ditadura do racionalismo", à qual São João Maria Vianney respondeu com a Verddae do Cristo. “Se naquele tempo havia a ‘ditadura do racionalismo’, hoje se registra em muitos ambientes uma espécie de ‘ditadura do relativismo’”, disse o Papa. E os desafios da nossa sociedade frente a isto não são menos exigentes. “[O relativismo] mortifica a razão, porque de fato chega a afirmar que o ser humano não pode conhecer nada com certeza além do campo científico positivo”, esclareceu o Papa. “Hoje, como então, o homem, mendicante de significado e completude, sai em contínua busca das respostas exaustivas às questões de fundo que não cessam de se colocar”, completou. A esta "sede de verdade" dos homens, os padres devem responder como fez o Santo Cura de Ars: usando o remédio infalível da Fé e da Verdade cristãs, manifestando seu amor e sua amizade pessoal com Cristo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Novas faculdades da Sagrada Congregação para o Clero

Antes do início do Ano Sacerdotal, o Santo Padre Bento XVI concedeu à Sagrada Congregação para o Clero faculdades especiais para inqüirir, processar e julgar sacerdotes que atentassem ao matrimônio ou que cometessem outros pecados graves contra o Sexto Mandamento (como atos de homossexualismo ou pedofilia). Bento XVI se cansou da ineficiência de vários Bispos em resolver o problema com firmeza e mão forte; o modo de agir excessivamente "pastoral" e pouco canônico (para usar a expressão de Dom Saburido, novo Arcebispo de Olinda e Recife, que disse planejar ser mais pastoral e menos canônico que seu antecessor, o valoroso Dom José) de alguns Sucessores dos Apóstolos tem dado azo a escândalos tremendos. A moleza e o desleixo com que estes Bispos tratam a formação nos Seminários e o julgamento de sacerdotes hereges é lamentável. Por isso o Papa, ciente de sua missão como Príncipe dos Apóstolos e Chefe da Igreja, tomou para si a tarefa de consertar as coisas. Todos se lembram daquela proibição da Santa Sé à entrada de candidatos com homossexualismo profundamente arraigado nos seminários. E agora Sua Santidade resolve conceder privilégios especiais à Sagrada Congregação para o Clero para punir sacerdotes "puladores de cerca". E isto quando estava para se iniciar o Ano Sacerdotal... Na seguinte entrevista, divulgada em Radio Vaticano, o Secretário da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza, explica as novas faculdades.

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Secretário da Congregação do Clero esclarece as faculdades concedidas pelo Papa

Recentemente, alguns meios de comunicação falaram de uma Carta da Congregação para o Clero, enviada aos Núncios para que a levassem ao conhecimento dos ordinários diocesanos sobre novas faculdades concedidas a esta Congregação no passado dia 30 de Janeiro. Não se trata de uma “revolução da disciplina eclesiástica para o clero”, como se chegou a dizer, mas simplesmente de directrizes que tomam em consideração algumas exigências pastorais particulares que os bispos enfrentam nas suas dioceses, no que diz respeito ao clero. A este propósito, o colega italiano Roberto Piermarini entrevistou o Secretário da Congregação para o Clero, D. Mauro Piacenza, que esclareceu melhor os factos:

… Non è una semplificazione delle procedure o una procedura semplificata, ma è uno strumento giuridico in continuità e coerenza con il diritto canonico vigente…


- Não é uma simplificação de procedimentos ou um processo simplificado. Trata-se de um instrumento jurídico em continuidade e em coerência com o direito canónico vigente. Não é, muito menos, um procedimento que se aplica automaticamente, mas sim que deve ser seguido só em alguns casos, bem determinados, conforme o prudente juízo da Sé Apostólica. De facto, permanecem imutáveis, intactos, os direitos e deveres dos Bispos no exercício da função judiciária. O Bispo deve vigiar sempre para que o presbítero seja fiel no cumprimento dos seus deveres ministeriais. O Bispo diocesano deve acompanhar os seus presbíteros com solicitude, t tutelando também os seus direitos. A grande maioria dos sacerdotes vive serenamente, na vida ordinária, a própria identidade e desempenha fielmente o próprio ministério. A Santa Sé intervém de forma subsidiária, em casos particulares, para reparar o escândalo, restabelecer a justiça e emendar o réu.

– Na prática, em que é que se traduzem essas “faculdades especiais”?
… Si deve purtroppo rilevare che talvolta si possono verificare situazioni anche di grave indisciplina da parte del clero, nelle quali i tentativi di superamento posti in atto non risultano efficaci e la situazione rischia...

- Note-se que, infelizmente, algumas vezes podem ocorrer situações de grave indisciplina por parte do clero, onde os meios adotados, que visam a sua superação, não sejam eficazes e, em tais situações, corre-se o risco de procrastinar-se excessivamente, com grave escândalo para os fiéis e dano ao bem comum. Com a intenção de promover a salus animarum, que é a suprema lei da Igreja, no dia 30 de Janeiro último, o Sumo Pontífice concedeu à Congregação para o Clero algumas faculdades especiais. Precedentemente, também foram concedidas faculdades especiais a outros Dicastérios da Cúria Romana.
Trata-se, antes de mais, da faculdade de tratar os casos de demissão do estado clerical “in poenam”, com a respectiva dispensa de todas as obrigações inerentes à ordenação, de clérigos que atentaram matrimônio mesmo só civilmente e que, admoestados, não se emendaram, persistindo em uma conduta irregular e escandalosa, e de clérigos que cometeram outros graves delitos contra o Sexto Mandamento do Decálogo. A especial faculdade de intervir para infligir uma justa pena ou uma penitência, nos casos de violação externa da lei divina e canônica. Em casos realmente excepcionais e urgentes, quando se configurar a falta de vontade de emenda por parte do réu, se poderá também infligir penas perpétuas, sem exclusão da demissão do estado clerical, quando circunstâncias particulares assim o exigirem.
(Naturalmente, todo e qualquer eventual caso deverá ser instruído através de um legítimo procedimento administrativo, ressalvado sempre o direito de defesa, que deve ser sempre garantido!)
E, finalmente, a faculdade especial de declarar a perda do estado clerical dos clérigos que abandonaram o ministério por um período superior a 5 anos consecutivos e que persistam em tal ausência voluntária e ilícita do ministério.
Nada feito de modo automático. Não há “automatismo” nos tempos, os casos são avaliados singularmente e sempre em situações graves. Que ninguém pense superficialmente em algum tipo de simplificação genérica em matéria tão delicada. Nada de “automatismo”, mas de crivo, e crivo rigoroso!
– Portanto, pode-se dizer que são faculdades que em última análise deverão ajudar os sacerdotes?
…Si è addivenuti alla concessione di queste facoltà nel vivo desiderio di contribuire ad onorare la missione e la figura dei sacerdoti che …


- Chegou-se à concessão de tais faculdades com o vivo desejo de contribuir para com o honrar a missão e a figura dos sacerdotes que, neste período difusamente marcado pela secularização, são agravados pela fatiga de ter que pensar e agir contracorrente, para a fidelidade à própria identidade e missão. Os sacerdotes agem in persona Christi Capitis et Pastoris. Em meio ao rebanho a eles confiado, os presbíteros são chamados a prolongar a presença de Cristo, fazendo-se seu reflexo. Eis porque é necessária, ou melhor, indispensável, a tensão verso a perfeição moral, que deve habitar em todo coração autenticamente sacerdotal, sem dar lugar a falsos “angelicalismos”, mas tendo em vista a estrutura antropológica humana. Tal estrutura, ferida pelo pecado original, exige a contínua ascese do sacerdote, na fidelidade às promessas feitas no dia da Ordenação e com profundo respeito pelos intangíveis direitos de Deus.
Tudo isto é particularmente importante também para compreender a motivação teológica do celibato sacerdotal, porque a vontade da Igreja a tal propósito, encontra a sua motivação última na ligação de especialíssima conveniência, entre o celibato e a Ordenação. Tal ato sacramental configura o sacerdote a Jesus Cristo, Cabeça e Esposo da Igreja. Por isso, a Igreja confirmou – no Concílio Vaticano II, repetidamente, no sucessivo Magistério Pontifício e nos Sínodos – a “firme vontade de manter a lei que exige o celibato livremente aceito e perpétuo para os candidatos a ordenação sacerdotal no rito latino”. O celibato sacerdotal é um dom que a Igreja recebeu e deseja guardar, convicta que é um bem para si mesma e para o mundo.

P4 – Em conclusão, o que é que se deseja aos sacerdotes?
L’auspicio di questa Congregazione è che ogni Vescovo si applichi sempre più con autentica paternità e carità pastorale a far sì che i propri più preziosi collaboratori, i sacerdoti…


R 4 - Esta Congregação espera que cada Bispo se empenhe, cada vez mais, com autêntica paternidade e caridade pastoral, para que os seus mais preciosos colaboradores saibam viver a disciplina eclesiástica como discipulado e possam viver a disciplina própria da vida sacerdotal com motivações interiores profundas, conscientes de que nada vale o afã do “fazer” quotidianamente, sem o “ser em Cristo”, tal como se atesta na experiência da Sua Divina Misericórdia.

Fonte: Radio Vaticano