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domingo, 12 de julho de 2009

Esclarecimento da Congregação para Doutrina da Fé - Sobre o aborto provocado.

Recentemente foram recebidas pela Santa Sé diversas cartas, inclusive da parte de altas personalidades da vida política e eclesial, que informaram sobre a confusão criada em vários países, sobretudo na América Latina, após a manipulação e instrumentalização de um artigo de Sua Excelência Monsenhor Rino Fisichella, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, sobre a triste história da “menina brasileira”.

Em tal artigo, publicado no “L’Osservatore Romano” de 15 de março de 2009, era proposta a doutrina da Igreja, também tendo em conta a situação dramática da supracitada menina, que – como se pôde notar mais tarde – foi acompanhada com toda sensibilidade pastoral, em particular pelo então Arcebispo de Olinda e Recife, Sua Excelência Monsenhor José Cardoso Sobrinho. A respeito, a Congregação para a Doutrina da Fé reitera que a doutrina da Igreja sobre o aborto provocado não mudou nem poderia mudar.

Tal doutrina foi exposta nos números 2270-2273 do Catecismo da Igreja Católica nestes termos:

“A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5). «Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15). A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: «Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (Didaché, 2, 2). «Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis» (Concilio Vaticano II, Gaudium et spes, 51). A colaboração formal num aborto constitui falta grave. A Igreja pune com a pena canônica da excomunhão este delito contra a vida humana. «Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (Cic, can. 1398), isto é, «pelo fato mesmo de se cometer o delito» (Cic, can. 1314) e nas condições previstas pelo Direito (cfr. Cic, cann. 1323-1324). A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade. O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação: «Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do ato criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte»… «Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da proteção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito» [...]. Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos » ” (Congregazione per la Dottrina della Fede, Istruzione Donum vitae, III).

Na encíclica Evangelium Vitae, o Papa João Paulo II reafirmou esta doutrina com a autoridade de Supremo Pastor da Igreja: “com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal.” (n. 62).

No que diz respeito ao aborto provocado em determinadas situações difíceis e complexas, vale o ensinamento claro e preciso do Papa João Paulo II: “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, teme-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (Encíclica Evangelium Vitae, n. 58)

Quanto à problemática de determinados tratamentos médicos a fim de preservar a saúde da mãe, é necessário distinguir bem entre dois casos diversos: de um lado, uma ação que diretamente provoca a morte do feto, por vezes impropriamente chamado aborto “terapêutico”, que não nunca pode ser lícito enquanto é o assassinato direto de um ser humano inocente; de outro lado uma intervenção em si não abortiva que pode ter, como consequência colateral, a morte do filho: “Se, por exemplo, a salvação da vida da futura mãe, independentemente de seu estado de gravidez, requerer urgentemente um ato cirúrgico ou outra aplicação terapêutica que teria como conseqüência acessória, de nenhum modo desejada nem intencionada, mas inevitável, a morte do feto, um tal ato não pode ser dito um direto atentado à vida inocente. Nestas condições, a operação pode ser considerada lícita, como outras intervenções médicas similares, sempre que se trata de um bem de alto valor, isto é, a vida, e não seja possível restituí-la após o nascimento da criança, nem para utilizar outro remédio eficaz “(Pio XII, Discorso al “Fronte della Famiglia” e all’Associazione Famiglie numerose, 27 novembre 1951).

Quanto à responsabilidade dos profissionais de saúde, é preciso lembrar as palavras do Papa João Paulo II: “A sua profissão pede-lhes que sejam guardiães e servidores da vida humana. No atual contexto cultural e social, em que a ciência e a arte médica correm o risco de extraviar-se da sua dimensão ética originária, podem ser às vezes fortemente tentados a transformarem-se em fautores de manipulação da vida, ou mesmo até em agentes de morte. Perante tal tentação, a sua responsabilidade é hoje muito maior e encontra a sua inspiração mais profunda e o apoio mais forte precisamente na intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre atual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade (Encíclica Evangelium Vitae, n. 89)

(©L’Osservatore Romano – 11 de julho de 2009)

Fonte: Fratres in Unum

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Obama no confessionário - Papa Bento XVI ressalta compromisso com a vida

Conforme noticiávamos ontem, a visita do Presidente Barack Obama ao Papa Bento XVI deveria ter como tema principal, como é óbvio, a defesa da vida em todas as suas fases, da concepção ao seu declínio natural. Dito e feito! E bem feito! Bento XVI presenteou Obama com um exemplar de sua Encíclica Caritas in Veritate - importantíssima para que o Presidente reflita sobre a crise atual - e com um exemplar da Instrução Dignitas Personae da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre questões de bioética, onde é reiterado o ensino da Igreja sobre aborto e manipulação de embriões. Que golpe de direita de Bento XVI no abortismo obamunista! Imagino o semblante do Obama quando recebeu aquele documento com subtítulo: "sobre questões de bioética", e o sorriso no rosto de Bento XVI ao entregar-lhe... Talvez esperasse uma grande queixa sobre o aborto, mas só uma queixa. Fontes informam que o Papa também abordou Obama sobre o direito à objeção de consciência, que tem sofrido ataques no novo governo americano.

Noticia a Radio Vaticano que
"de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, no diálogo entre ambos, foram abordados temas de interesse mundial e convergentes, como a paz no Oriente Médio, e questões divergentes, como a gravidez indesejada".
E Zenit confirma:
"Desde que chegou à Casa Branca, Obama tomou decisões controvertidas sobre temas que afetam a vida humana, em particular ao levantar restrições que proibiam o financiamento federal da pesquisa com células-tronco embrionárias (que implica a eliminação de vidas humanas), assim como as restrições às subvenções públicas a favor das associações que promovem o aborto no estrangeiro. [...] O Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, explicou aos microfones da Rádio Vaticano que o presente da instrução [Dignitas Personae] é 'muito significativo'. 'Nos Estados Unidos de hoje, existe um grande debate sobre os valores fundamentais da defesa da vida, e nisso a perspectiva da Igreja e a política do presidente Obama mostram diferenças, às vezes bastantes significativas', continuou explicando o porta-voz. [...] Nos encontros com o Papa e seus colaboradores foram analisadas, além disso, 'as perspectivas de paz no Oriente Médio, nas quais se registram convergências e outras situações regionais'. 'Revisaram alguns temas de maior atualidade, como o diálogo entre culturas e religiões, a crise econômico-financeira no âmbito global e suas implicações éticas; a segurança alimentar, a ajuda para o desenvolvimento, sobretudo na África e na América Latina, e o problema do tráfico de drogas', esclarece o comunicado [da Santa Sé]. 'Por último, sublinhou-se a importância da educação para a tolerância em cada país', revela a Santa Sé."
Afirma também Zenit que
"Bento XVI se fez porta-voz dos legítimos direitos dos cidadãos latino-americanos no encontro que manteve nesta sexta-feira com o presidente Barack Obama, no Vaticano. [...] O Papa também pediu o compromisso dos Estados Unidos na ajuda ao desenvolvimento dos países da América Latina, segundo informa o comunicado posterior à audiência publicado pela Sala de Informação do Vaticano".
Ao fim, segundo Radio Vaticano, desejos e orações:
"Ao se despedir de seus hóspedes, Bento XVI voltou-se para Obama, dizendo-lhe: 'Presidente, rezo pelo senhor!' O presidente norte-americano respondeu: 'Santidade, espero em um relacionamento muito forte entre os EUA e a Santa Sé!'"
Que Deus escute as orações do Pontífice e ajude Obama a encontrar a Verdade - pela Encíclica e pela Instrução.

Visitação Apostólica aos Legionários de Cristo a partir do próximo 15 de Julho

Após serem noticiados graves fatos acerca da vida moral do Padre Fundador dos Legionários de Cristo, o Padre Marcial Maciel, LC, a Santa Sé anunciou uma visitação apostólica às instituições dos Legionários de Cristo, visitação acolhida por fervor pela própria Congregação e seu Diretor Geral, o Padre Álvaro Corcuera, LC, pois servirá para extirpar questões freqüentes acerca da idoneidade da Coongregação. Agora foi estabelecida a data para o início da visitação, bem como os Bispos visistadores apostólicos e as àreas de ação. A notícia é de Zenit.

Dia 15 de Julho inicia visita apostólica à Legião de Cristo

Cardeal Bertone informa os nomes dos cinco bispos

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 10 de julho de 2009 (ZENIT.org).- A Santa Sé informou oficialmente à congregação dos Legionários de Cristo que a anunciada visita apostólica começará no próximo dia 15 de julho.

O cardeal Tarcisio Bertone S.D.B, secretário de Estado, comunicou o Pe. Álvaro Corcuera, diretor geral da Legião de Cristo, os nomes dos cinco bispos e as áreas geográficas onde, por encargo do Papa, se realizarão as visitas.

–Dom Ricardo Watty Urquidi, M.Sp.S., bispo de Tepic (México), no México e na América Central.

–Dom Charles Joseph Chaput, O.F.M. Cap., arcebispo de Denver (Estados Unidos), nos Estados Unidos e no Canadá.

–Dom Giuseppe Versaldi, bispo de Alessandria (Itália), na Itália, em Israel, Coreia e Filipinas.

–Dom Ricardo Ezzati Andrello, S.D.B., arcebispo de Concepción (Chile), na América do Sul.

–Dom Ricardo Blázquez Pérez, bispo de Bilbao (Espanha), na Europa (com exceção da Itália).

Segundo explica o site da Legião de Cristo, ao transmitir estas disposições a todos os membros da congregação, o Pe. Álvaro Corcuera convidou “a agradecermos a Deus e à Igreja por esta ajuda que o Santo Padre nos oferece e a acolhermos os visitadores em cada uma das nossas comunidades com sincera caridade e fé como representantes do Vigário de Cristo”.

Segundo informa o site, “os visitadores desenvolverão o seu trabalho conforme o calendário e programa que cada um deles estabelecerá. Ao concluir a visita, entregarão um informe à Santa Sé que emitirá as oportunas disposições para a congregação”.

O cardeal Bertone havia anunciado com uma carta, datada de 10 de março, a visita apostólica, sem oferecer naquele momento os nomes dos visitadores nem a data de início.

A carta do purpurado veio após, no mês de fevereiro passado, a congregação confirmar que na vida de seu fundador, padre Marcial Maciel, havia fatos gravemente incompatíveis com a moral católica. O padre Maciel faleceu no dia 30 de janeiro de 2008.

Fonte: Zenit.

Papa é proposto para o Prêmio Nobel de Economia

Com apenas poucos dias de luz, a Encíclica social de Bento XVI, Caritas in Veritate, já provoca efeitos grandiosos: o economista Ettore Gotti Tedeschi propôs Sua Santidade para o Prêmio Nobel de Economia. Segue a notícia:

Especialista propõe Bento XVI para Nobel da Economia

Sua encíclica denuncia os efeitos da queda da natalidade

ROMA, quinta-feira, 9 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Em uma entrevista publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera em 8 de julho, o economista Ettore Gotti Tedeschi, expoente dos maiores grupos bancários mundiais, indicou o Papa Bento XVI para o Nobel de Economia.

Segundo Gotti Tedeschi, o mérito do pontífice foi o de escrever claramente na encíclica Caritas in veritate que a crise econômica é filha da queda da natalidade.

Na entrevista, o banqueiro, que é também comentarista do jornal vaticano L’Osservatore Romano, explica que “o insuficiente crescimento econômico se deve à queda da natalidade nos países desenvolvidos (ainda que de modo diferente nos Estados Unidos e na Europa)”.

A queda dos nascimentos levou ao crescimento dos custos fixos, como os impostos, e a diminuição da economia e dos ativos financeiros, mas – afirma Gotti Tedeschi – “muitos analistas preferiram não aprofundar na causa ‘original’ da crise” porque “tocar no tema da natalidade é um tabu, é uma forma de negacionismo”.

“É um tema conotado como ‘moral’ – precisa o banqueiro –, e portanto não científico, quase estúpido, para fanáticos religiosos”.

Neste contexto, Gotti Tedeschi destaca que o Papa “foi o único que pôs em relação crise e queda da natalidade”, e precisamente por isto “merece o Nobel de Economia”.

Fonte: Zenit

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Bento XVI e os líderes mundiais

Na esteira do encontro dos líderes mundiais do G8, o grupo dos sete países mais desenvolvidos e a Rússia, que se dá hoje (quinta-feira, 09/07), com a presença de vários outros convidados, o Papa tem recebido em audiências particulares alguns líderes mundiais.

A grande expectativa é o encontro de Bento XVI com o Presidente dos EUA, Barack Obama, esta sexta-feira. Robert Gibbs, porta-voz de Obama, já anunciou que o Papa e o Presidente "vão falar com franqueza", inclusive sobre temas como aborto, uniões civis de homossexuais, a objeção de consciência, manipulação de embriões, entre outros - dos quais sabemos que Obama é o paladino do mal. Que sairá deste encontro, só o dia de amanhã nos mostrará!

Antes disto, na terça-feira (07/07) Bento XVI já recebera o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, que, para honra e glória de Deus, é o primeiro católico a ocupar este cargo em seu país. Aliás, o primeiro-ministro provém de família de antiqüíssima tradição católica, quiçá daquelas cujos primeiros representantes foram conquistados por São Francisco Xavier. É uma grande satisfação saber que, num país de 127 milhões de habitantes onde apenas 1 milhão é católico, o primeiro-ministro esteja entre este 1 milhão. E isto sem contar a influência que o Japão possui na Ásia e em todo o mundo, como uma das mais fortes economias mundiais. Quem sabe não provenham daí algumas benesses - ainda que mínimas - para os católicos da China...

Hoje (09/07), Bento XVI recebeu o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e o Presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak (com o qual conversou sobre a Coréia do Norte). Sábado que vem receberá Stephen Harper, primeiro-ministro do Canadá. E ontem (quarta-feira, 08/07) recebeu esposas de vários líderes mundiais., conforme informações de Clipping Vaticano.

A solicitude de Bento XVI para com os problemas mundiais é visível. Em sua Encíclica Caritas in Veritate, o Papa deu um programa completo para a restauração do progresso mundial amparado na moral, na liberdade e na paz. Oxalá os líderes mundiais o escutem!

Oxalá tivessem escutado Bento XV, ao fim da 1ª Guerra Mundial, e assim tivessem evitado a Segunda! Oxalá tivessem escutado Pio XII ao fi mda 2ª, e tivessem evitado grande parte dos problemas enfrentados durante a Guerra Fria! Oxalá tivessem escutado João XXIII, Paulo VI e João Paulo II em suas várias Encíclicas sociais, e assim contornado com masteria os problemas mundiais...

Não escutaram.

Oxalá escutem agora Bento XVI, em sua Caritas in Veritate, e restaurem a economia e o progresso mundial com ordem e moralidade.

Bento XVI decide reestruturar Pontifícia Comissão Ecclesia Dei

Os boatos antigos se confirmaram. Desde a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum e, mais tarde, do levantamento das excomunhões dos quatro Bispos da Fraternidade São Pio X (FSSPX) espalharam-se historietas a partir do Vaticano de que o Papa pretendia reestruturar a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei.

Quando da publicação do Motu Proprio, dizia-se que a Ecclesia Dei seria unida à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, visando a favorecer o retorno à toda a Igreja da Missa Tridentina. Hoje, com uma composição homogênea como possui a Congregação dedicada à Liturgia, com um Cardeal Prefeito (o Cañizares) e Secretários abertamente a favor da Missa Tridentina e da "reforma da reforma", isso não se faz mais necessário.

Restou, pois, a idéia que a Ecclesia Dei viesse se situar no campo da Congregação para a Doutrina da Fé. Os boatos se intensificaram quando do levantamento das excomunhões dos quatro Bispos da FSSPX e da intenção do Santo Padre de iniciar com estes - e para toda a Igreja - um diálogo sobre os pontos mais espinhosos do Concílio Vaticano II: a colegialidade, a liberdade religiosa, o ecumenismo, a reforma da liturgia, etc.

Ontem, 08 de Julho, veio à lume o novo Motu Proprio de Sua Santidade, confirmando as expectativas. O Motu Proprio Ecclesiae Unitatem reestrutura a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. A partir de agora, o Presidente da Comissão será o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, atualmente o Cardeal William Joseph Levada. Foi elevado ao cargo de Secretário da Comissão Dom Guido Pozzo, até então Secretário anexo da Comissão Teológica Internacional e ajudante de estudo na Congregação para a Doutrina da Fé. A tarefa principal a Ecclesia Dei agora será a discussão teológica das principais questões sobre o Concílio Vaticano II - e a resposta a elas.

E o Papa investiu em seu propósito. Colocou na linha de frente do debate sobre o Vaticano II Teólogos do patamar do Cardeal Levada e de Dom Guido Pozzo.

Quem sabe o que virá de agora em diante! Talvez um documento com a estrutura do Syllabus, com esclarecimentos pontuais sobre esta ou aquela questão. Ou como a Declaração Dominus Iesus, detalhadíssima em suas conclusões, quase sem deixar brecha alguma para ressalvas.

Mas resultados, virão, sem dúvida.

E em favor da hermenêutica da continuidade, da unidade da Igreja e da verdadeira aplicação do Concílio Vaticano II, à luz da Tradição.

terça-feira, 7 de julho de 2009

"Caritas in veritate", a nova encíclica papal

O Sumo Pontífice lançou nesta terça-feira a sua nova encíclica "Caritas in veritate". Além de ser um documento muito esperado, por abordar um tema social de extrema relevância em tempos de crise econômica, as palavras do Santo Padre exprimem a beleza da mensagem cristã até mesmo nos assuntos aparentemente laicizados. Uma das coisas que mais me espantou nesse encíclica foi a capacidade do Papa de correlacionar a sua explanação, não a restringindo, ao contrário, abrindo caminhos onde nem pensaríamos. O título da encíclica já é, por si só, um manifesto contra a forma como trilha o mundo; caridade sem verdade é hipocrisia! Se reconhecemos a Verdade na verdade por que, então, omitiríamos o seu testemunho? Se a caridade é motivada pelo amor em Cristo, e reconhecemos Nele a Verdade triunfante, por que agindo pelo amor não pregaríamos o Seu Evangelho e a Sua Igreja?

Alguns pontos me chamaram atenção; o Papa trouxe à tona a questão da vocação. Quase sempre a idéia de um chamado é vista como uma particularidade da vida religiosa. Essa perspectiva só tem fundamento num mundo laicizado, profanizado, onde não há Deus na vida pública e na vida social. Os homens não são apenas cristãos em seus lares e na esfera privada, são testemunhas de Cristo em todos os atos cotidianos. Assim, fiéis a Deus, buscando uma perfeição diária, perfeição esta que não é reflexo de um materialismo moderno de caráter egoístico, mas sim da procura pela plenitude em Deus e na luta contra o pecado, os cristãos devem viver no orbe como arautos do Senhor, convertendo em oração, mortificação, em fé, o trabalho, os problemas, as dívidas, a família.

O Santo Padre ainda ligou temas de grande importância na modernidade; o relativismo, a laicização, a crise moral, e até mesmo a "hermenêutica da descontinuidade". Ainda vale lembrar que para os economistas e globalistas sem uma vida espiritual, distantes de uma perspectiva cristã da realidade, as palavras do Papa não passarão de conselhos de auto-ajuda, pintando um mundo de cor-de-rosa, bem distante da prática do mundo real da macro e microeconomia.

Depois farei mais alguns comentários sobre a nova encíclica do Santo Padre.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente.

De: Blog Fratres in Unum

Após nomear novo arcebispo de Recife Dom Fernando Saburido, que declarou deixar facilmente “de lado a política canônica” por ser “mais pastoral” que seu predecessor, esperamos verdadeiramente que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, tome as medidas necessárias para corrigir a lastimável série de afrontas à moral católica perpetrada pela própria Cúria Romana. De outra maneira, a aceitação da renúncia de Dom José num momento tão crítico (quando motivos menos importantes são suficientes para prolongar o governo de outros bispos que ultrapassam seus 75 anos), somada à nomeação de um bispo que fez rejubilar a corja do clero pernambucano, só poderia soar como uma chancela do próprio Papa a todos os desmandos desta que poderá se tornar a maior chaga de seu pontificado.

Abaixo publicamos importante artigo de Sandro Magister (tradução e comentários do blog Oblatvs):

Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente

Sobre os desenvolvimentos da controvérsia acesa pelo artigo do arcebispo Rino Fisichella sobre o caso da menina brasileira levada a abortar os gêmeos que trazia no ventre, www.chiesa deu informações no serviço disponibilizado na rede em 3 de julho: “O caso de Recife. Roma falou, mas o caso não está encerrado”.

Aos fatos públicos ali apresentados, acrescentem-se importantes movimentos nos bastidores.

O artigo de Fisichella – publicado em 15 de março na primeira página do “L’Osservatore Romano” – impressionou não somente pelo conteúdo e pela modalidade da publicação, mas porque o seu autor é presidente da pontifícia academia para a vida.

E então, 27 dos 46 membros desta academia escreveram em 4 de abril passado uma carta coletiva a Fisichella, pedindo-lhe que corrigisse as posições “erradas” expressas por ele no artigo.

Em 21 de abril, Fisichella responde-lhes por escrito, rejeitando o pedido.

Em 1º de maio, 21 dos signatários da carta precedente se dirigem, pois, ao cardeal William Levada, prefeito da congregação para a doutrina da fé, pedindo à congregação um pronunciamento esclarecedor sobre a doutrina da Igreja em matéria de aborto.

A carta foi entregue em 4 de maio, mas não recebeu resposta. Os autores souberam por um funcionário da congregação que a carta foi encaminhada ao Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, “uma vez que o artigo de Fisichella fora escrito a seu pedido”.

Dois membros da pontifícia academia para a vida transmitiram então diretamente ao papa um dossiê sobre o acontecido.

Em 8 de junho Bento XVI teria discutido o caso com Bertone e teria ordenado que fosse publicada uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja em matéria de aborto.

Mas tal texto ainda não viu a luz do dia. Há quem se oponha a que seja publicado no “L’Osservatore Romano”. E há quem desejaria que fosse transmitido por via reservada somente a um restrito número de destinatários: os bispos e os acadêmicos mais diretamente envolvidos na controvérsia.

[Comentário de Pe. Clécio]

Finalmente ficamos sabendo a pedido e sob autoridade de quem foi escrito o vergonhoso artigo de Fisichella. Os acadêmicos se moveram e levaram o caso a Levada que transmitiu “mateus” a quem o pariu. Como Bertone fez pouco do pedido, apresentaram o caso ao Papa, que decidiu: uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja.

Desnecessário dizer que tal declaração seria favorável a Dom José Cardoso Sobrinho e desmascararia a posição falsamente “pastoral” de Rino/Bertone. Cadê o texto?

Magister afirma que há quem se oponha a que saia no “L’Osservatore”. Por que razão o incógnito supõe que o jornal do Papa não seja adequado para publicar uma declaração que reafirme a doutrina da Igreja? Para não ferir sensibilidades prelatícias? Para não avechar o presidente da academia para a vida?

Lançar às feras um pobre arcebispo latinoamericano “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” pode!

Fonte: Settimo Cielo

Tradução: OBLATVS