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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Beato Antônio Chevrier

"O Presépio, o Calvário e o Tabernáculo, disse o Padre Chevrier, o não são os centros onde se devem encontrar todos os homens para receber a vida, a paz, e parte de novo para ir a Deus? (O Verdadeiro Discípulo, p. 104)

“Em 1866, após a Festa da Assunção, afirma o Padre Jaricot, Padre Chevrier tomou com ele doze de seus filhos – eu era um deles – para fazer um retiro em Saint-Fons naquela solidão de predileção”. Ele não era tão bem organizado como é hoje, era ainda bem pobre, mas não tínhamos opção, ainda vimos lá às ferramentas dos operários. Um pequeno quarto foi escolhido como oratório e transformado. Padre Chevrier colocou dentro da manjedoura um pequeno Jesus igual a um que há no Prado. Começou as inscrições, as quais terminarão muito tarde e somente quando terminada veremos. Aquele local seria nosso lugar de reunião e oração. (Jean-Claude Jaricot, Processo de Beatificação, t.3, art. 193)
O caso aqui relatado por Jean-Claude Jaricot, que foi no Prado um dos primeiros companheiros do Padre Chevrier , aconteceu durante o verão de 1866. Dez anos antes, praticamente em 1856, Antoine Chevrier, que era então um jovem padre, foi convertido enquanto orava diante do Menino Jesus no presépio. Era véspera de Natal e ele estava na Igreja Paroquial de Sant-André em La Guillotière, havia sido enviado seis anos antes pelo bispo para exercer seu primeiro ministério. Na época, Guillotière era um subúrbio industrial de Lyon, um bairro conhecido como vermelho e que, por precaução, o governo imperial, de Napoleão III, anexara em 1852 à cidade de Lyon. Rezando em frente ao presépio, Antoine Chevrier tinha entendido os meios para atingir os pobres entre os quais ele vivia e, assim, ajuda-los a descobrir o verdadeiro rosto de Deus. Chevrier precisava iniciar o caminho que o próprio Deus tinha tomado para alcançar os homens e dar a conhecer-se a eles.

Para responder a este apelo, que ele entendia como vindo de Deus, ela saiu de sua paróquia Saint-André, que era muito rica e, permanecendo na margem esquerda do Ródano, excessivamente pobre, ele se estabeleceu no lugar o qual começaram a chamar de Cidade do Menino Jesus. Um leigo, generoso e um tanto quanto sonhador, ali edificou uma cidade para abrigar as muitas vitimas das inundações de maio de 1856 que tinha devastado todos os bairros.

A experiência durou três anos, período durante o qual Antoine Chevrier se dedicou àqueles que pareciam ser, no momento, os mais pobres de todos, crianças e adolescentes sem famílias de verdade que viviam nas ruas e viviam de esmolas. Vários homens e mulheres colaboraram na reintegração dos mesmos, dando um pouco de educação (ainda não havia escola pública no pais) e o Padre Chevrier era responsável pela preparação para Primeira Comunhão e o Catecismo. Em 1860-1861 o trabalho foi transferido para o Prado, um antigo salão de baile alugado e depois comprado por Chevrier e Pierre Louat, seu mais próximo colaborador.O Padre Chevrier estava convencido de que a graça recebida no Natal de 1856 não era somente para sua conversão pessoal. O capitalismo industrial estava florescendo, a diferença entre as classes sociais ficava mais evidente, criava-se uma classe trabalhadora a margem da sociedade. Antoine Chevrier foi um daqueles que havia entendido a necessidade da Igreja ouvir o choro dos pobres, e para responder, ele viu que o caminho que devia seguir era o de Jesus, o caminho que o próprio Deus escolhera para ele. Esta é a razão pela qual uma vez trabalhando no Prado, percebeu rapidamente que se ele queria ter verdadeiros companheiros, estes deveriam compartilhar de suas convicções e perspectivas. Por isso, nos primeiros meses do ano de 1866 decidiu fundar no Prado uma “escola clerical”, isto é, uma escola para preparar aqueles que se sentiam chamados ao sacerdócio. Em maio do mesmo ano comprou o terreno da casa que ficava na frente do Prado, do outro lado da rua, para abrigar as irmãs, que ainda lá estão, e as meninas da catequese para Primeira Comunhão. No espaço livre do Prado, seria então possível em outubro abrir a escola clerical.

É neste contexto que ele criou em Saint-Fons um recolhimento particular para aqueles que seriam seus primeiros seminaristas e para eles começou a escrever o que chamamos “o quadro de Saint-Fons”.O contexto era de uma fundação. O Padre Chevrier levou com ele doze de seus filhos e retirou-se na montanha de Saint-Fons, onde gostava de se retirar em silencio. O número doze, obviamente, recorda a instituição dos Doze por Jesus no monte: Naquele tempo, 13Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. 14Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15com autoridade para expulsar os demônios. 16Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer "Filhos do trovão"; 18André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, 19e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu. (Mc3,13-19)

O gesto do Padre Chevrier de colocar dentro da manjedoura, presente no quarto, um pequeno Jesus parecido com o do Prado é também um gesto simbólico e assaz profundo. Isso significa que o que vai acontecer em Saint-Fons, em agosto de 1866, deve imitar Saint-André de La Guillotière em dezembro de 1856. “É em Saint-André que nasceu o Prado, disse o padre, estava meditando na noite de Natal sobre a pobreza de Nosso Senhor e seu rebaixamento pelos homens e tomei a resolução de tudo deixar e de viver na maior pobreza possível. Este é o mistério da Encarnação, o qual me converteu.” (ES, p.11) Como anteriormente, no trabalho da Primeira Comunhão, seria da mesma maneira a escola clerical, o seminário do Prado, o caminho de cada seminarista não pode basear-se apenas na graça da Encarnação. Era como se o Padre Chevrier tivesse dito: Somente a contemplação do mistério de Cristo na sua Encarnação pode trazer meus alunos ao caminho, como Ele mesmo me colocou na estrada. Natal é na verdade um começo: a abertura de um caminho. E é este o caminho que o padre pretende contemplar no Quadro de Saint-Fons: o caminho que vai do berço à cruz, o nascimento de Jesus em sua vida até o final, e que nos lembra a atualização da celebração Eucarística. Desta forma, o caminho de Jesus, que começou no Natal para o Padre Chevrier em 1856 e novamente dez anos mais tarde, começará em agosto de 1866 para seus seminaristas.

Ainda só mais uma palavra sobre o quadro de Saint-Fons, mas desta vez a partir do Verdadeiro Discípulo. Quando abrimos esse livro que o Padre Chevrier, fundador do Prado, escreveu para a formação de seus futuros padres e mais largamente para todos aqueles que desejam seguir o caminho do Evangelho, constatamos que ele se refere muitas vezes ao quadro de Saint-Fons.Em seu estudo sobre os títulos de Jesus Cristo, falando de Cristo como de um “centro para o qual tudo deve convergir”, ele escreve: “A manjedoura, o calvário, o tabernáculo não são centros para onde todos os homens devem voltar sua vida, sua paz, e ir de lá para Deus?” (VD, p.104) O presépio, a cruz, a Eucaristia são lugares nos quais Deus nos convida a entrar, pois ele dá-se a ver e a se encontrar se chegamos a esses lugares, se consideramos o tempo necessário simplesmente para ali chegar, perceberemos que ali já estamos. Assim, durante este retiro, vamos juntos fazer uma peregrinação a estes locais onde Deus dialoga conosco.

No capítulo sobre a renuncia ao seu espírito, o Padre Chevrier escreve desta vez: “Tiravam [os santos] todas as suas inspirações e os seus pensamentos do amor infinito de Deus. Deus caritas est, no presépio, no calvário e no tabernáculo que são os três grandes pilares à luz dos quais um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo deve conduzir-se” (VD,p.228). Levamos este pensamento do padre as palavras de Jesus no Evangelho segundo São João: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jô 8:12). Esta luz que é Cristo, brilha para nós em três pontos, que também são sucessivos no destino de Jesus: a manjedoura, local e momento de seu nascimento; a cruz, o local e a hora do sofrimento e da sua morte; a Eucaristia, local e hora da sua presença após a morte.

Podemos notar aqui como a afirmação do Padre Chevrier é paradoxal: Natal, nos diz o Evangelho, Jesus nasce durante a noite, quando Jesus morre no Calvário se faz escuridão novamente sobre a terra e na Eucaristia, o Deus da manjedoura e da cruz é ainda mais escondido. No entanto, diz Padre Chevrier, se você fixar o seu olhar e tomar o tempo para meditar sobre os mistérios, entrará em pleno conhecimento de seu significado, descobrirá que estes são os lugares onde o amor de Deus é mais intensamente expresso. Procuremos transformar e perscrutar durante este retiro estes três mistérios: Natal, Sexta-Feira Santa e Eucaristia, para que eles se tornem luz para nós hoje.

Um texto para rezar os três mistérios da Manjedoura, do Calvário e da Eucaristia.

Deus oculto,
Tu não tens outra Palavra
A não ser um fruto recém-nascido
Na noite que cobre a terra;
Somente dissestes
O nome de uma criança:
O local onde tu enfiastes tua semente.
Explica-Te por este lugar chamado:
Que o Espírito fale a nosso espírito
No do silêncio!
Deus ferido,
Tu não tens outra palavra
Que este homem humilhado
Sobre o madeiro que encima o Calvário!
Acabastes de dizer
O apelo rasgando
De um Deus que aprende o sofrimento
Explique-Te deste local chamado:
Que o Espírito fale ao nosso espírito
No do silêncio!
Deus entregue
Tu não tens outra palavra
Que este corpo partilhado
No pão que nossos lábios cortam;
Somente dissestes
O cálice de sangue
Derramado pela nova confiança
Explica-Te deste local chamado:
Que o Espírito fale ao nosso espírito
No do silêncio!

Tradução por Sem.Diego Ferracini e Revisão por Pedro Ravazzano

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Beato Antônio Chevrier, exemplo de santidade e pobreza evangélica

Antônio Chevrier, nasceu em 1826, em uma das inúmeras famílias que foram para a cidade de Lyon para trabalhar na indústria da seda. Lyon viveu um período muito conturbado: o canuts «insurreição de 1831, as demonstrações de 1834, a repressão que se seguiu, a proclamação da República em 1848. Antônio Chevrier ficou no seminário onde, durante algum tempo, realizou as reuniões do Clube dos Trabalhadores todas as semanas.

Foi ordenado sacerdote em 1850 e enviado a la Guillotière, um distrito de Lyon, do outro lado do rio Rhône, e que era maciçamente ocupado pelos trabalhadores. Ele ficou obcecado com a miséria que lá encontrou. Aqui está um excerto de um dos seus sermões: “A mesure que les grands de la terre s’enrichissent, à mesure que les richesses s’enferment dans quelques mains avides qui les recherchent, on dirait que la pauvreté croît, que le travail diminue et que les salaires ne sont pas payés. On voit de pauvres ouvriers travailler depuis l’aube du jour jusqu’à la profonde nuit et gagner à peine leur pain et celui de leurs enfants.” Ele visitou o povo, se familiarizou com as suas desconfortáveis casas, com seus rostos cansados e com os olhos das crianças saindo das fábricas. As cheias de 1856 fez-lhe ainda mais consciente da miséria e da forma como o povo da sua área vivia.

Na noite de Natal desse mesmo ano de 1856, ele estava meditando ante a manjedoura. Chevrier derramou o seu coração, como um amante, sem nenhum claro projeto na mente, exceto o de dar sua vida para o pequeninos, as crianças das zonas industriais. Tudo foi intuição, uma intuição muito simples. Ele percebeu que o Evangelho do Deus-feito-homem é fundamentalmente uma Boa Nova trazendo alegria às pessoas, uma mensagem de que Deus ama estar com os pequeninos e nos movimenta a proclamar sempre que o homem nunca vai estar sozinho novamente. Através desta contemplação do nascimento do Filho de Deus, na manjedoura da pobreza, ele descobriu que o amor apaixonado pela humanidade não é suficiente, nem o exime da sua angústia. A fim de os evangelizar, ele precisa ser um homem ouvindo a Cristo, fazendo o que Cristo fez, compartilhado da vida das pessoas pobres se tornando pobre como eles. Diz-se de Chevrier que ele saudou pequenos demônios e os transformou em santos. Milagre? Sim, na medida em que cada homem e cada mulher muda quando eles são amados.

Alguns pais enviaram os seus filhos delinquentes. Outros pediram para que Chevrier tirasse os seus filhos da prisão e os levasse para a viver com ele. Uma testemunha diz a respeito: "Eu vi muitas vezes jovens homens de 16 a 20 anos se preparando para fazer sua primeira comunhão. Alguns deles tinham trabalhado para viajar em circos e se tornaram peritos acrobatas, boxers, engolidores de espada, .... O tempo livre era um tempo durante o qual eles treinavam com êxito as suas aptidões para eventuais exposições.” O Prado era o local desses treinamentos.

Prado? Era um popular salão de dança de má reputação. Após muita hesitação e de uma profunda reflexão, Antônio Chevrier adquiriu este lugar em 1860. Ele manteve os jovens por seis meses, colocando-os completamente sob sua asa, porque queria ensiná-los, ajudá-los a descobrir Cristo em uma atmosfera de confiança e de simplicidade. Ele olhou para os associados, sacerdotes que estavam prontos para viver na pobreza, no meio dos pobres, de modo que os fizesse compreender o Evangelho em palavras fáceis e na forma de verdadeiras atitudes. As dificuldades foram muitas. Alguns padres não obtiveram a permissão para entrar. Outros não se adaptaram. Então Chevrier solicitou a autorização para formar os jovens para o sacerdócio por ele mesmo. Ele envolveu no seu trabalho alguns jovens, oferecendo-lhes uma formação baseada em valores do Evangelho e numa vida dedicada a Cristo e aos pobres. Um deles, Marie Boisson, se tornou a primeira Irmã do Prado. Ao longo de todos estes anos, Chevrier dedicou muito tempo a estudar os Evangelhos, a fim de contemplar a imagem de Jesus Cristo, que ele encontrou lá.

João Paulo II disse o seguinte para os seminaristas franceses e seus formadores reunidos em Lyon 14-15 Sept.2001:

"Os seminaristas e seus formadores são convidados a criar em conjunto uma comunidade de discípulos que reviva a experiência dos Doze unidos a Jesus (cf. Pastores dabo vobis, nr.60), de modo a aprender a viver e servir como Jesus fez. Para este efeito, é importante para eles não procurar honras, riqueza ou poder, mas sim para dar-se manso e humilde (Mt.11/29), pobres (Mt.5 / 3) e pequenos (Mt.11 / 25), assim imitando o Mestre, a fim de se tornarem Seus verdadeiros discípulos, para que todos aqueles que batam na porta possam se sentir respeitados e bem-vindos. Eles irão encontrar no Beato Antônio Chevrier e nos muitas Santos de França, dignos modelos da vida apostólica "(Doc. Cath. 21 Out. 2001, nr.2256)

Retirado e traduzido do site do Instituto do Prado

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Digno de nota é a direção espiritual feita pelo Beato Antônio Chevrier a senhora Marie Marthe Tamisier, considerada a fundadora dos Congressos Eucarísticos Internacionais. Essa devota dama francesa era dirigida espiritualmente pelo grande São Pedro Julião Eymard, fundador dos Padres do Santíssimo Sacramento, considerado Apóstolo da Eucaristia. Depois da sua morte, em 1868, Marie Tamisier correu para a Ars, e em prece aos pés do túmulo de São João Maria Vinnaey clamou a Deus para que pudesse ser agraciada com um novo diretor tomado pelo fervor evangélico. Alguns dias depois um amigo a encorajou a ir até Lyon, onde vivia o Apóstolo dos Mendigos, Pe. Chevrier.

Quando ela viu Pe. Chevrier ficou surpresa; ele vestia roupas velhas e vivia sob a mais genuína pobreza cristã. Além disso, o santo sacerdote foi enfaticamente duro com a senhora Tamisier; "Você deseja servir a Deus, mas não sabe nada da vida cristã! É necessário ser um santo e fazer as obras dos santos para entrar no céu. É necessário seguir as palavras de Jesus no Evangelho “Vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; Depois, vem e segue-me.” Ainda continuou "não ter nada, você deve se tornar um mendigo! Pare a primeira mulher que conhecer e pede para trocar as suas roupas com a dela, se cobre com trapos, e então começa a servir ao Senhor. Quando você sentir que tem a força para viver assim, venha a mim e eu vou com prazer dirigir a sua alma.” Senhora Tamisier gostava da sua vida, das suas roupas, do seu mundo, ela não entendia o motivo de uma pobreza tão radical. Depois de alguns meses foi ao encontro de Pe. Chevrier e este a disse: "Você mudou a sua mente? Faça-o agora! Sua vocação é a de pedinte nas ruas, como um mendigo do Santíssimo Sacramento!" Ela sabia, realmente, que Pe. Chevrier falava a verdade, mas também sabia e reconhecia a sua fraqueza em segui-lo.

Depois de muita oração e clamor ao Senhor a dama Tamisier recebeu a graça de Deus. Ela voltou para Lyon onde se encontrou com Pe. Chevrier e disse o que ele tanto queria ouvir: “Padre, estou pronta para o sacrifício”. Tão ilustre sacerdote sabia que o importante, antes de tudo, era a pobreza espiritual; não necessariamente os pobres em matéria eram pobres em espírito e não necessariamente os ricos em matéria eram ricos em espírito. Chevrier não rasgou as vestes de Tamisier, não mandou que vendesse seus bens, mas mesmo assim se tornou seu diretor espiritual, afinal o maior sacrífico, o da alma, ela já havia feito. Pe. Chevrier disse a ela: “Você irá trabalhar, mas você não verá os frutos do seu trabalho e ainda irá se deparar com muitas dificuldade no seu trabalho para fazer o Santíssimo Sacramento conhecido e amado”

E assim aconteceu. O que começou de maneira pequena, simples e desorganizada se tornou num dos eventos mais sublimes da catolicidade; o Congresso Eucarístico Internacional

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Modelo de sacerdócio

Beato Antônio Chevrier talvez seja um dos maiores exemplos de vivência da radicalidade evangélica. No seu livro, "O Verdadeiro Discípulo", ele forja em palavras, como um metal ardente, um manual de edificação, um guia para a compreensão plena de Nosso Senhor; "Jesus Cristo é tudo!" No mundo moderno a mensagem de Chevrier pode ser vista como ultrapassada, velha, antiquada, ou então podada através de uma caricata "contextualização", ou seja, todo o seu fervor era reflexo de uma época, hoje não caberia mais.

Lendo algumas das palavras de Beato Antônio Chevrier e comparando com muitas das tristes atitudes de certos Sacerdotes vemos como, infelizmente, existem presbíteros que não honram o seu ministério:

“Quanto mais somos de Deus, tanto mais somos opostos às idéias e às loucuras do mundo e mais também o mundo nos odeia e nos persegue (...) Somos de tal modo inclinados às coisas naturais, temos tanta dificuldade em manter-nos à altura da nossa vocação que o contato com o mundo não nos pode ser senão muito funesto (...) Torna-se depressa mundano ao freqüentar as pessoas mundanas.

Não se deveria, parece-me, ver o sacerdote senão no púlpito, no confessionário e no altar; junto dos pobres e dos doentes. Em qualquer parte, o sacerdote expõe-se à crítica e a se tornar ele próprio mundano ao adquirir os gosto e as idéias do mundo (...) O sacerdote deve fugir de tudo o que cheira a mundo, e quando tem necessidade de descansar um pouco, deve ir para um lugar isolado (...) É necessário fugir do mundo.

(...)

Devemos, pois, suprimir do nosso exterior todo o adorno inútil e ocupar-nos muito mais em adornar o homem interior que se não vê, do que em adornar o homem exterior que se vê.

Devemos suprimir todo o ornamento exterior, tais como anéis, flores, brincos, correntes de ouro ou de prata, pingentes, relógio de ouro, pedraria, ainda que tais objetos provenham da família.

Não devemos ter nenhum ornamento exterior, nem sequer de estimação, exceto o crucifixo.

Devemos suprimir das nossas vestes tudo o que cheira a luxo, elegância etiqueta, finura, requinte, arranjo, limpeza excessiva, tais como roupa branca fina, engomada, colarinhos, punhos, sapatos de verniz, borlas etc...tudo o que agrada, é bonito, engraçado, amável, o que seduz o olhar.

Devemos evitar cuidar demasiadamente do nosso corpo, dos nossos cabelos, do nosso rosto, das nossas mãos, das nossas unhas, da nossa pele. Nunca servir-nos de cremes, perfumes, de sabão odorífero, de espelho: basta ter um espelho para fazer a barba e lavar o rosto e se pentear uma vez; não admirar, contemplar-se, não procurar o bom aspecto, o porto, o bom tom etc...

Nunca servir-se destas coisas delicadas e sedosas que se utilizam no mundo; faz-se do seu corpo um pequeno ídolo que se prepara para o fazer admirar no mundo ou em sua própria casa.

Quanto se opõe este culto do corpo ao espírito evangélico

(...)

O verdadeiro ornamento do corpo é a pureza e a modéstia

(...)

Usar o cabelo curto, uma batina de sarja sem corte pronunciado, sapatos simples e pobres e todo o resto. Fazer a barba duas vezes por semana. Não tomar banho senão quando necessário. Obrigar-se a fazer a tonsura de joelhos para nos recordar esta renúncia ao nosso corpo e também à nossa realeza espiritual sobre o mundo a todas as sua vaidades. (...) Para se conservar puro, é preciso renunciar a todo o prazer proibido, a toda a agitação, emoção que perturbe a carne e lhe dê sensações sensuais"